Kate's Anatomy


Kate Walsh não pode entender porque seu traseiro é tão quente. É Manhattan nos anos 90, e o papel de Walsh como Dra. Addison Montgomery-Shepherd em Grey's Anatomy está uma década adiante. Por ora, ela é apenas uma garçonete num primeiro encontro, andando numa BMW 5 Series, desacostumada com uma das mais novas características em carros luxuosos. "Quando você não sabe o que um aquecedor de assento é ou que você está sentando em um, como você diz a um cara com quem você está saindo pela primeira vez que seu traseiro está queimando?"

O homem tinha fabulosos ingressos para Cosi Fan Tutte na "Metropolitan Opera", motive pelo qual Walsh – uma fanática por opera – suportou, mesmo quando seu acompanhante começou a tomar liberdades bizarras. "Eu entro no carro, e a primeira coisa que o cara faz é espirrar perfume em mim", diz Walsh, rindo. "Eu nem mesmo sei de onde veio. Talvez tenha pertencido à última mulher que ele matou."

Hoje, Walsh tem uma BMW com seus próprios bancos aquecidos, e ela pode comprar seu próprio perfume. Vestida com camisolas rendadas, uma saia de brim e uma bota cano alto Christian Louboutin da cor do pôr-do-sol do Pacífico, a Walsh de 39 anos parece mais jovem pessoalmente do que a neonatologista romanticamente atormentada e atormentadora que ela interpreta na TV. Sua pele fria é mais lisa, suas maçãs do rosto são mais vistosas, e seus atrativos – aqueles cabelos vermelhos quentes, aqueles olhos azuis gelados – são muito mais delicados que os da sua personagem de frieza fora do normal que foi apaixonada (e ficou com) dois dos mais dominantes machos McAlfa do Prime Time. Na mesa do Puran's Restaurant, na chique mas discreta vizinhança de Los Feliz em Los Angeles (onde ela tem uma casa de 2 quartos que o sucesso recente a ajudou a comprar e agora a reformar), Walsh é calorosa, amigável, acessível e amavelmente diferente. Ela é muito mais interessada em aprender sobre sua companhia no jantar do que em falar de si mesma. Não é porque Walsh prefere se esconder, mas porque ela possui um qualidade cada vez mais rara no mundo de Hollywood: curiosidade.

"Sou curiosa sobre tudo na vida, a ultimamenteestive obcecada com minha própria mortalidade e a real noção de que a vida é pequena, diz Walsh. Uma razão para isso é a aproximação do seu aniversário de 40 anos, em outubro. Outra razão tem perseguido-a desde a morte de seu pai, um imigrante irlandês que se tornou um líder (sua mãe é italiana), quando ela 22 anos. "Foi o primeiro baque que eu levei que me fez pensar 'Meu Deus, a vida acaba.'" A atenção à fragilidade da vida impulsiona a sua vontade de fazer tudo – viajar e ler e explorer e cozinhar e dirigir carros velozes (ela recentemente comprou um Aston Martin 1985) – e ao mesmo tento ela tenta descobrir uma maneira de diminuir o ritmo. "Eu me sinto dividida entre ter o momento da minha vida e querer certas coisas muito sérias, como amor em excesso por uma família e tudo isso" diz Walsh. "Mas agora diante de mim está o trabalho. De vez em quando eu penso que seria muito bom se o sucesso tivesse aconteido quando eu tinha 27 ou 28 anos, mas em contrapartida eu penso que eu não teria maturidade suficiente para lidar com isso e não acabar numa clínica de reabilitação.

Walsh não consegue se lembrar de um momento em, que ela não trabalhou. Aos 14 anos, ela era caixa no Burger King em Tucson, Arizona, para onde ela se mudoucom sua mãe, padastro, e 2 irmãos e 2 irmãs mais velhos depois que seus pais se divorciaram (a família passou seus primeiros 11 anos em San Jose, California). Antes disso, seu padastro, um psicólogo da prisão, pagava-a 5 dólares para digitar os perfis psicológicos das pessoas que ele tratava. E nos muitos újltimos anos, ela trabalhou regularmente, se não reconhecível, como atriz tanto na TV – como a namorada de Drew Carrey em "The Drew Carey Show" – quanto em filmes, como "Sob o Sol da Toscana", no qual, coincidentemente, ela interpretou a amante lésbica da sua colega de elenco de Grey's Anatomy Sandra Oh.
Mas foi o papel como a esposa infiel de Patrick Dempsey que entrou nas nossa consciência. Originamente, seu papel tinha sido escrito para apenas 5 episodios, introduzido no fim da primeira temporada, em maio de 2005, como a vadia sem coração que tinha ousado trair o McDreamy e agora estava querendo tirá-lo de Meredith Grey, a personagem principal da série. "Eu era agressiva e cachorra e bem-humorada," diz ela. "Era divertida."

Divertida e convincente.Tanto que os produtores do show decidiram extender seu papel. "Meu último papel antes de Grey's foi uma travesti de Las Vegas em CSI. Digamos apenas que eu fui agradavelmente surpreendida com as novidades."

Walsh se adaptou facilmente à pressão de trabalhar com o talentoso elenco do maior sucesso da televisão. Questionada sobre sua reação às declarações homofóbicas do seu colega de elenco Isaiah Washington, ela insiste que realmente não houve efeitos negativos no set, mas ela não parece esconder sua raiva. "Estamos trabalhando duro e deixando isso para trás. Definitivamente foi triste. É perturbador. E ofuscou nossa vitória no Globo de Ouro, fato pelo qual eu fiquei triste."

Apesar dos inconvenientes, Walsh segue em frente, como ela sempre fez quando a vida não lhe concedia seus desejos.

Walsh começou sua carreira de atriz estudando no Piven Theatre Workshop., em Chicago, onde ela se tornou uma grande amiga do roteirista e diretor Adam McKay, que depois a apresentou a Will Ferrell (oos três trabalharam juntos em 2005 na comédia "Kicking & Screaming"). Ela foi para Nova Iorque com a esperança de fazer teatro e filmes independentes, mas o trabalho na TV determinou as escolhas de sua carreira, embora prejudicasse suas escolhas amorosas.
Walsh admite ter tido casos não muito apropriados como forma de escapar do estresse do trabalho diário.O resultado foram paixões com homens que não eram bons para ela, mas que eram "tentadores e deliciosos e sexys demais" para resistir. De certa forma, esses casos serviram a um propósito para Walsh. "No passado, eu procurava homens para me acalmarem e me ajudarem a descansar," diz ela"Escolher pessoas uqe não estavam tão disponíveis me permitiram ser egoísta." Mas Walsh percebe que talvez ela não era a única a ser egoísta. Homens geralmente têm dificuldade com seu compromisso com o trabalho, e seu mais recente relacionamento sério terminou logo após ela ter garantido seu papel em Grey's Anatomy.

Walsh procura num homem as mesmas características que estão apenas começando a emergir dentro de si: consistência, compaixão e a habilidade de estar presente pontualmente. Entretanto, ela simplesmente não esteve pronta ainda para um relacionamento doméstico.

Estes dias, entretanto, ela olha para frente e quer ser amada, odiada, e tudo entre os dois. .
"Eu não preciso de alguém com o corpo sarado. Ele pode ser gordo ou acima do peso e ter uma pança. É mias importante ter estilo, substância, humor, interesse, curiosidade e ser realmente inteligente. E gostar de livros. No que diz respeito aos livros, Walsh gosta da literatura britânica e estuda livros escritos pelos autores modernos Joseph Conrad, Evelyn Waugh e Ian McEvan (seu favorito).
Enquanto Grey's prosseuge com sua terceira temporada, Walsh nota as semelhanças entre ela e sua personagem começando a aparecer. "Num drama de uma hora de duração, você começa a atuar um pouco mais próximo de quem você é, porque os escritores te ouvem e estão ao seu redor, então começam a escrever para você," diz ela, explicando porque sua personagem se tornou mais vulnerável e complexa.

Quando se preparava para o seu papel da mulher de Derek Shepherd, diz Walsh "eu me lembro de pensar 'por que ela o traiu? Por quê? Por quê? Por quê?'" Mas depois, com a Addison se tornando mais tridimensional e mais humana, ficou evidente. "Ela estava sozinha no seu casamento," diz Walsh. "Sem o casamento, agora ela está sozinha no Seattle Grace."
É aí que a arte se torna mais parecida com a vida para Walsh. "Aqui estou eu trabalhando 13, às vezes 16 horas por dia e tentando namorar e é para mim é tão novo namorar mais de uma pessoa ao mesmo tempo. Às vezes eu penso 'o que estou fazendo?' Estou me tornando minha personagem ou ela que está se tornando eu? " diz Walsh, que espera que os escritores da série a coloquem em uma relação feliz logo. "estou começando a ficar um pouco supersticiosa aqui. Eu definitivamente me identifico com a minha personagem nisso. Pelo menos romanticamente, isso não é onde eu achava que estaria aos 39 anos.
Além do mais, tornar-se finalmente uma atriz conhecida e estar tão ocupada forçou Walsh a rever suas prioridades. Ela não procura mais homens para relaxar e aliviar seu stress, e geralmente rejeita noites selvagens em troca de noites quietas sozinha em casa, bebendo vinho em frente à lareira, com um bom livro em suas mãos, e com sua cadela Lucy e seus gatos Billy e Pablo ao seu lado. "Uma parte de mim é como um garoto de 19 anos que quer sair e festejar", diz Walsh, "mas há outra parte de mim que tem 80 anos e quer ir para casa antes que eu me acabe.

Entender tantas coisas sobre si mesma preparou Walsh para o que ela espera ser seu próximo grande passo: o amor. "Eu amo minha vida, mas também quero compartilhar. Sou totalmente romântica, mas também reticente e cética.(...) É mais importante o que a pessoa sente do que como ela o mostra.

E ela não se importa se o homem que finalmente aparecer carrega consigo alguma bagagem pessoal. "Você não quer namorar um cara que tem 39 ou 40 anos e nunca esteve num relacionamento sério antes e não tem uma história romântica," diz ela. "Porque esse é o cara que espirra perfume em você e coloca assentos aquecidos.
Tradução e adaptação: Mário Diniz
Por Anonymous @ 7:12 PM _ _ link desse tópico

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