“É claro que eu mantenho minha identidade como coreana atuando nos Estados Unidos. Olhe pra mim, é isso que as pessoas vêem... Tem sido tanto uma benção quanto um desafio.” Diz a premiada estrela de Grey’s Anatomy, Sandra Oh
Na série de sucesso da ABC Grey’s Anatomy, Sandra Oh interpreta brilhantemente a Dra. Christina Yang, uma médica que dá o melhor de si salvando vidas enquanto se recupera de um aborto e luta para equilibrar seu amor pelo Dr. Preston Burke e suas aspirações profissionais. Sandra Oh venceu o Globo de Ouro como melhor atriz coadjuvante em uma série em 2006, e o Screen Actors Guild Award por melhor perfomance de uma atriz em uma série dramática em 2007. Parece que agora ela está conseguindo ser destaque depois de causar uma forte impressão em “Sideways”, um filme dirigido por seu atual ex-marido, Alexander Payne. Sandra Oh pode ser o primeiro caso de uma coreana tendo sucesso em Hollywood, onde asiáticos raramente fazem parte “elenco principal” do showbiz. Em uma exclusiva entrevista por e-mail ao coreano Chosun Ilbo, ela fala sobre sua vida e trabalho...
Você é uma das poucas atrizes asiáticas que foi reconhecida pelo seu talento e conseguiu crescer em Hollywood. O que você pensa sobre sua posição ou status? Eu concordo que não há muitos de nós, então eu me levo a sério em relação a isso. É uma circunstância que eu acho desafiadora, tanto pessoal quando profissionalmente, mas acima de tudo, sou extremante grata e honrada.
Grey’s Anatomy é um ótimo programa que trouxe a você o Globo de Ouro e o Screen Guild Award. Por que você acha que seu papel atraiu tanta atenção? Você poderia explicar o que sentiu quando venceu os prêmios? Eu tinha esperança de que meu papel atraísse tanta atenção porque meu trabalho é bom e eu mereço. Eu trabalho duro, às vezes até demais, porque eu amo fazê-lo. É maravilhoso quando seu esforço é notado e honrado por seus colegas e a indústria [do entretenimento]. Vencer o Globo de Ouro foi um dos melhores momentos da minha vida.
Você mantém sua identidade como coreana enquanto atua nos EUA? Antes de atuar, antes de abrir minha boca e interpreter algo do personagem que estou fazendo, você estpa vendo uma mulher asiática, uma descendente de asiáticos. Eu carrego minha identidade comigo, é o meu rosto. Mas além disso, eu carrego minha própria experiência em cada papel que interpreto. É claro que eu enfrentei várias dificuldades nas indústria por causa da minha raça. É uma questão muito ampla para responder aqui...Mas é o mesmo para todo mundo. A vida não é justa, não é fácil, mas é maravilhosa. Tudo depende de como você decide vivê-la.
Você construiu uma base de fãs na Coréia com Grey’s Anatomy. Christina é uma mulher atrante, digna e cínica, que às vezes extrapola e tem grandes ambições de ser a nº1. De alguma forma, muitos de seus fãs imaginam que a realidade possa ser parecida. Isso é uma suposição correta? Sim e não. Eu não diria que sou parecida com Christina exceto por minha ética profissional e dedicação. Eu considero Christina uma pessoa que reprime seu emocional, com problemas sérios de comunicação, é isso que eu amo nela e que amo interpretar nela. Mas eu não compartilho esses traços com ela. Eu não sou nem um pouco cínica, nem sou são pé no chão. Eu sou bagunceira, no entanto. Muito bagunceira. Minha mãe ainda me persegue por causa disso.
Você nasceu em Ottawa e começou a atuar aos 6 anos de idade. Seus pais te fizeram começar cedo? Quando você começou a ter essa paixão pela atuação? Você poderia falar mais sobre seus pais? Eu não atuava até os 10 anos de idade. Eu comecei a dançar quando tinha 4 anos. Não foram meus pais que me levaram a atuar. Foi eu mesma, e quando comecei, não queria mas largá-la. Ainda que eu amasse dançar, eu tinha certeza que jamais poderia ser uma dançarina profissional. E eu também tinha certeza que eu adorava o palco. Para mim, nada é melhor do que o palco. NOTA: Os pais de Sandra Oh deixaram Seul no início dos anos 60 e foram para os EUA. Seus pais, Oh Joon-so e Oh Young-nam, estudaram Economia e Bioquímica em diferentes univesidades, mas ambos transferiram-se para a Universidade de Toronto para continuar seus estudos. Seu pai acabou se mudando para Ottawa nos anos 70, onde eles ainda moram. A irmã de Sandra, Grace (Sun-ju) é uma advogada de sucesso, e seu irmão mais novo, Raymond (San-in) está completando seu PhD em Genética.
Qual é a diferença entre atuar no Canadá e atuar nos EUA? Muita, muita diferença, tanto boa quanto ruim. Primeiro, no Canadá, alguém como eu pode ser uma estrela, uma protagonista. Nos EUA é muito mais difícil. Eles sempre te querem em papéis coadjuvantes. É discutível se existem, inclusive, estrelas no Canadá, ou uma indústria de filmes nativa. O Canadá ainda está à mercê da indústria de filmes estado-unidense. No Canadá é muito difícil viver como ator. Nos Estados Unidos existem muitas formas e maneiras de um ator alcançar o sucesso, e com isso surge muito mais estresse e sacrifício. No Canadá, mesmo quando o indivíduo é muito famoso, ele pode viver uma vida normal e saudável. Talvez não tanto glamour, riqueza, ou sucesso mundial, mas bastante normal.
O que a Coréia significa para você? A Coréia é, para mim, um mistério. É um lugar ao qual me foi dito que pertenço, e eu sei no fundo na minha genética que eu pertenço, mas é um mistério para mim. Eu poderia dizer que é o local de nascimento e país natal dos meus pais, mas ele são tão canadenses quanto são coreanos, tendo passado a maioria de suas vidas na América do Norte. Eu tenho certeza que a Coréia que eles conhecem e se lembram já não existe mais. É uma recordação às vezes dolorosa, já que vivo na América do Norte, que eu sou diferente. É um lugar no qual eu espero me sentir confortável. Por fim, a Coréia é um lugar que eu desejo visitar e conhecer de novo. E talvez encontrar outra parte de mim.
Tradução e adaptação: Francisco Ladislau
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