Ellen Pompeo: Entrevista The Telegraph
O escritório escuro dos fundos de uma casa georgiana em Bloomsbury é um lugar incongruoso para se entrevistar Ellen Pompeo. Mas é lá onde The Telegraph (U.K.) a localizou para a segunda de duas excepcionais entrevistas que encontramos com a estrela de Grey's Anatomy esta semana.
Sim, é bem longe do lote da ensolarada Los Angeles onde Pompeo geralmente é encontrada, de uniforme, como a personagem título de Grey's Anatomy.
Dra. Meredith Grey - agitada, vulnerável, auto-destrutiva, talentosa - é uma líder diferente de qualquer outra na televisão americana, e sua presença de tela dominante e desastres românticos prendem 20 milhões de expectadores por semana.
Em sua lista de "100 Celebridades" mais poderosas, Forbes elegeu Pompeo e seus co-stars número 12, enquanto o elenco de Desperate Housewives caiu para 47º.
Porém na Inglaterra, onde o drama é o desenho principal no canal digital vive com reprises no Cinco, Ellen Pompeo dificilmente é famosa.
Críticos têm torcido o nariz para os roteiros "sem sal" e atuações "super sentimentais" no drama sobre cinco cirurgiões em treinamento em um hospital de Seattle.
Mas o retrato de Ellen Pompeo de uma mulher totalmente competente em seu trabalho e um completo desastre em seus relacionamentos tem forçado até os veteranos produtores de Hollywood a examinar como uma principal que é tão desastrada - propensa a ficar bêbada em bares e sair com estranhos - possa provar ser tão fascinante.
Os tablóides têm se focado no peso de Pompeo (ela é supostamente anoréxica), comportamento no set (ela é supostamente uma diva) e, desde seu noivado em novembro, o colorido passado de seu noivo Chris Ivery, um produtor musical, e o tamanho do anel de noivado que ele a deu.
Este, um deslumbrante diamante retangular, tem causado Ellen Pompeo tanta angústica que ela o tem torcido (de maneira a esconder) em sua mãozinha.
"Completamente espalhafatoso, não?" pergunta ela. "Ele o comprou em Beverly Hills e gastou suas economias de uma vida inteira, motivo pelo qual eu poderia matá-lo. Eu fiquei muito brava sobre isso. Às vezes eu realmente amo o anel, mas às vezes eu simplesmente queria vendê-lo e doar o dinheiro pra caridade. Tudo o que as revistas se interessam é o tamanho. Eu penso, "Oh, é absolutamente um lixo e eu gostaria de jogar o anel no esgoto."
Continue lendo a extensão da reveladora entrevista de Ellen Pompeo no Telégrafo depois do pulo...
Ela olha pra mim ironicamente.
"Eu sei! Que sorte a minha sentar aqui com essa pedra gigante quanto há bebês na África lutando por suas vidas." Ela foi de fazer nenhum dinheiro a fazer muito dinheiro. Como se sente? "Me sinto culpada." Ela dá uma alta, verdadeira risada envergonhada. "Me sinto culpada!"
Como tantas estrelas de Hollywood, Pompeo é pequena e frágil. Sua mão, quando eu a aperto, é como um monte de galhos e os músculos de seus braços são pequenos como os de uma criança.
Ela está vestindo um vestido preto sem mangas de algodão por cima de uma fina legging preta e sapatilhas de ballet Lanvin, e em pessoa parece completamente diferente das telas - mais jovem e inocente, um misto de Michelle Pfeiffer e Calista Flockhart.
Seus longos cabelos são saudáveis e ruivos, seus olhos azuis têm um tom de verde e ela mantém contato quase que constante com os olhos de uma maneira que não é nada desconfortável.
Aqui em sua pausa de 8 semanas de Grey's Anatomy, ela e Ivery estão procurando por um flat pra comprar em Londres, antes de zarparem pra Paris e Tókio.
Você sente que é só agora, aos 37, que a vida de Pompeo está começando a fazer sentido - a de Ivery também, talvez, seguida de suas três condenações, duas por porte de drogas, antes deles se conhecerem. Ele agora trabalha escoltando talentos para o produtor musical Randy Jackson, do American Idol.
Pompeo, enquanto isso, está em sua 4ª temporada de Grey's Anatomy, na qual ela é indubtavelmente a estrela (com o ótimo apoio de Patrick Dempsey e Sandra Oh, do filme Sideways - Entre Umas e Outras).
O drama tem reunido Emmys e Globos de Outo desde sua estréia na ABC em março de 2005. Pompeo recebe US$200.000 por episódio, e sua história parece um conto de fadas de sucesso tardio, mesmo incluindo a morte de sua mãe e uma difícil madrasta.
Ela tem uma triste, difícil infância como a última de seis - ela era oito anos mais nova que o último de seus irmãos - na cidade de colarinhos azuis de Everett, próxima a Boston, e foi descoberta quando sua mãe, Kathleen, morreu de uma overdose de antibióticos. Sua primeira memória é de seus irmãos tentando reavivá-la.
O trauma deste incidente é alarmante, e ela admite, colocando a mão em sua garganta, "Eu tive uma tragédia quando criança, obviamente, minha mãe morrendo, e isso meio que... eu suponho que descreva isso como... meio que me deixou com o coração partido." Mas você pode remendar um coração partido? "Não, nunca completamente." Sua voz aumenta, infantilmente. "Mas está tudo bem, porque me faz apreciar minha vida." Ela achou a terapia útil com isso? "Não, eu acho que meu trabalho é terapêutico. Foi uma coisa muito trágica, todas essas crianças sem mãe; foi bem difícil pro meu pai," ela continua.
"E então ele casou novamente pouco tempo depois da morte de minha mãe, e, ah, rápido demais. Foi... uma situação muito ruim pra todos os filhos." Por que, como era sua madrasta? "Oh, eu prefiro não discutir isso. Então eu saía e ficava com várias pessoas. Sempre fui me remanejando de um lado pro outro. Quem poderia tomar conta de mim nessa época? Então eu ia nos verões e finais de semana pra minha tia Ellen, de quem herdei o nome, e meu tio Jimmy no Upper East Side de New York. Meu tio Jimmy me levou ao teatro. E outra das irmãs de minha mãe, Irmã Maureen, era uma freira e vivia num convento no Bronx, e eu ficava lá frequentemente também."
Pompeo diz, dispensando simpatia, que aquelas "experiências diferentes" deram-na muito com o que trabalhar em sua atuação. Mas ela também concente que "Eu só estava completamente confusa. Eu sabia que eu tinha um monte de pessoas que me amavam. Haviam muitos tipos diferentes de pessoas em minha vida, e eu tinha todos esses irmãos e irmãs que eram uns doidos adolescentes hippies, fumando maconha nos selvagens anos 70 - rock 'n' roll - e eu tinha meus queridíssimos avós..." Todos, mas ninguém? Ela para. "Eu tinha... bom, você sabe, eu tinha todos menos a única pessoa que eu realmente queria."
Seu pai, Joseph, um vendedor de tabaco, era um personagem forte. "Ele intimidava a todos. Ele esperava na janela e quando me deixavam em frente de casa ele voava porta afora e os arrancava do carro pelo pescoço," ela disse, alarmada, sobre seus encontros adolescentes, mas ela também disse que ela podia fazer o que quisesse em sua vida.
O que ela queria era atuar. Então quando ela fez 19 ela foi pra Miami, onde ela arranjou um emprego como garçonete.
Apesar de sua frágil aparência feminina, ela não era fácil. "Eu abusava dos clientes, gritava e berrava com eles para fazê-los esperar. Se eles colocavam dinheiro no bar e não era o suficiente, eu ia atender outra pessoa. Logo aparecia uma nota de US$20," ela contou uma vez pra Playboy. Eu amo aquela imagem de você no bar, digo a ela. "Certo!" ela ri com real divertimento. "Bom, eu não sei se você viu Os Infiltrados, mas Boston, minha cidade natal, é um lugar corrompido. Eu cresci em uma vizinhança ítalo-irlandesa, e haviam gangsters irlandeses e gangsters italianos. É bem um moderno Gangues de Nova York."
Após dois anos em Miami ela foi pra Nova York. Mas seu sonho de virar uma atriz ainda parecia "uma grande coisa. Me senti tão impotente, sabe, 'como descubro o que fazer sobre isso?'". Ela também estava sofrendo profundamente por causa de sua infância. "É como se o chão aos seus pés estivesse... como se estivesse sempre pra cair de uma prancha."
Ela tinha 25 quando conseguiu seu primeiro papel; um agente se aproximou dela quando ela estava trabalhando num bar em SoHo Kitchen (bairro). O agente colocou Pompeo em três testes pra comerciais; ela conseguiu todos os três. Então Pompeo fez o par de Jake Gyllenhaal no filme de 2002 Vida Que Segue.
Ele, aliás, tinha ido até ela num estacionamento três semanas antes e dito que ela era "a garota mais bonita que havia visto em sua vida toda". Pra ela a coincidência era única na vida. "Meio que entendi que estava sendo guiada," disse. "Eu tinha meio que desperdiçado meus vinte anos até então procurando por algum sinal de minha mãe, sabe, 'faça o candelabro balançar e me mostre que você está comigo.' E neste ponto eu coloquei minha fé na idéia de que a vida lhe dá sinais e, quer fosse o espírito de minha mãe ou não, eu tive coincidências demais em minha vida pra que fossem normais."
Outra foi a maneira que ela conheceu Ivery. Eles haviam crescido a 3km de distância mas só se conheceram em 2003 quando um amigo em comum os apresentou numa loja da Whole Foods em Los Angeles.
"Eu sabia do passado dele e sabia do círculo que ele andava e eu não queria nada com isso," ela admite. "Você acha quer quer fugir de seu passado e ser essa pessoa completamente diferente. E então encontrei com ele novamente dois dias depois e hoje em minha vida eu sei que não foi nenhum acidente. Eu sabia que ele deveria estar em minha vida." Ele foi para a cadeia brevemente? "Oh, sim, algumas vezes. Mas a maioria das pessoas que conhecia em Boston foram. Era muito comum, que era porque eu queria sair."
Parte da vulnerabilidade da infância de Pompeo aparece nas páginas de suas entrevistas anteriores e você acredita, antes de conhecê-la, que Ivery é um cara bom. Ele dá carona pra ela até o trabalho e a visita no set na maioria dos dias; ela diz que eles fazem tudo juntos. "Pra conhecer alguém - seu verdadeiro eu, e não o reinventado por Hollywood, com todas as suas falhas e seu passado - esse é o verdadeiro relacionamento," ela diz. "Me sinto muito sortuda. É muito sólido."
Eu pergunto o que ela faz dos agoniantes romances de seu personagem em Grey's Anatomy.
"Ela tem uma total falta de inteligência emocional," ela exclama. "Eu só queria botar algum senso nela." O que aconselharia a ela? "Nunca implore a um homem." (Ela está se referindo a uma cena onde Meredith implora ao seu amante casado que a escolha.) "Ele deveria estar implorando a você!"
Então o que está por vir de Ellen Pompeo?
Meio caminho andado de um contrato de 6 anos pra Grey's Anatomy, ela e Ivery estão agora tentando ter um bebê. O aguardado casamento a excita?
"Não, eu não sou uma pessoa pra se contar numa cerimônia. É por isso que eu tenho um problema tão grande com o anel. É um símbolo. E um bem extravagante." Ela dá outra risada envergonhada bem alta.
Eu digo que deve sentir que tudo está acontecendo como devia. Ela sorri. "Acho que sim. Um amigo com quem mudei pra Miami quando eu tinha 16 ou 17 anos, estava me fotografando na época e disse, "Você será uma ótima mulher de 40 anos". Eu não sabia como levar aquilo aos 16 ou 17, mas eu nunca esqueci. Agora sinto que quanto mais velha eu fico mais eu entendo."
Seu relações públicas diz que temos que terminar. "Eu amo a arquitetura daqui," diz Pompeo, levantando.
"Me lembra minha cidade natal." Eu pego um relance dela na próxima sala enquanto vou embora. Ela parece diferente agora, 17 novamente, uma coisa ilusória, imperceptível, em seu guarda-roupa preto adolescente.
"Eu tomei uma pílula pra dormir noite passada, o que geralmente não faço, porque meu corpo é pequeno demais pra aguentar, e essa manhã eu estava toda acabada," ela exclama. "Mal consegui me vestir!"


Fonte: The Telegraph
Por *Liv's* @ 4:49 PM _ _ link desse tópico

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